Patrono

Cientista-Guia, Professor entusiasmante e encantador ser humano

Flávio Ferreira Pinto Resende, um dos mais importantes sábios especialistas em Citogenética do nosso país, nasceu em Cinfães, no dia 27 de janeiro de 1907. Era o mais velho dos nove filhos de Bernardino da Rocha Resende Paiva e de Augusta Adelaide Ferreira Pinto de Oliveira. O seu percurso académico ter-se-á iniciado na escola primária de Cidadelhe, a 4 km de Cinfães, sob a responsabilidade da Tia Amália. Após a conclusão do ensino primário, mudou-se para o Porto, para a casa do tio Rocha e fez o ensino liceal no Colégio da Formiga em Ermesinde. Depois de terminar o ensino liceal, inscreveu-se na Faculdade de Ciências do Porto nos preparatórios de Medicina, curso que abandonou, em prol do curso de Ciências Histórico-Naturais que concluiu em 1928.

Frequentou a Escola Normal Superior de Coimbra, onde conheceu e se relacionou com o Prof. Doutor Abílio Fernandes, assistente de botânica, e o Prof. Doutor Aurélio Quintanilha. Com estes mestres iniciou a sua ligação ao estudo da Botânica.

No final do curso, optou pela carreira docente. Entre 1928 e 1931, ocorrem as suas primeiras experiências profissionais, enquanto docente liceal. Foi professor nos Liceus José Falcão e José Gouveia, em Coimbra; Rodrigues de Freitas, no Porto; Afonso de Albuquerque, na Guarda; João de Deus, em Faro; e Gil Vicente, em Lisboa.

Não totalmente realizado com a docência, decide enveredar pela investigação científica, procurando ultrapassar o saber livresco já feito. Então, recorre à Junta de Educação Nacional expondo a sua insatisfação e a sua ânsia de aprofundar o saber. Desta Junta, obtém uma bolsa, que lhe dá a possibilidade de ir trabalhar com o Professor Quintanilha no Instituto Botânico da Faculdade de Ciências de Coimbra. A partir daí, a sua carreira de investigador jamais parou. Ao laboratório de Coimbra é, entretanto, atribuída uma bolsa para investigação na Alemanha, sendo Flávio Resende escolhido pelo Prof. Quintanilha para usufruir desta bolsa. Na Alemanha, estabelece importantes ligações com investigadores da época na área da citogenética e aí conclui o seu doutoramento com a tese Über die Ubiquität der SAT-Chromosomen bei den Blütenpflanzen, publicada na prestigiada revista alemã Planta, que, entre outros, trata de temas de índole cariológica das plantas.

É também na Alemanha que conhece Marta, uma alemã, com quem se casou. Entre 1938 e 1941, viaja entre Portugal e a Alemanha, continuando e aprofundando os seus estudos na área da botânica e da citogenética.

Em 1941, regressa definitivamente a Portugal. Começou a trabalhar no Instituto Botânico Dr. Gonçalo Sampaio da Faculdade de Ciências do Porto e, em 1942, ocupa a vaga de professor extraordinário do 2º grupo da secção de Ciências Naturais desta Faculdade. Em 1943, concorre e passa a ocupar a vaga de Professor Catedrático de Botânica da Faculdade de Ciências de Lisboa. Em 1944, é nomeado e toma posse como Diretor do Museu, Laboratório e Jardim Botânico de Lisboa. À frente desta instituição, fundou e foi administrador da Revista Portuguesa de Biologia Portugaliae Acta Biológica.

Em 1945, funda a publicação Artigo de Divulgação.

Na década de 50, viajou pelo Brasil e por diversos países de África e da Europa, a convite das mais prestigiadas instituições, para apresentar os seus trabalhos e para representar Portugal em conferências, colóquios e congressos em áreas da Botânica.

Em 1961, foi nomeado membro do Conselho Consultivo de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian. Começa a sentir-se doente e é submetido, na Alemanha, a uma importante cirurgia.Em 1962, a NATO atribuiu-lhe uma bolsa de oito meses e alguns subsídios para um curso ordinário de Fisiologia da Floração na Universidade de Hamburgo.

A doença começa, então, a ocupar parte das suas preocupações. Em 1966, o seu estado de saúde agravou-se, falecendo em Lisboa, no dia 1 de janeiro de 1967. Legou, como especialista de Fisiologia Celular de Plantas, 85 publicações como autor único e 28 em colaboração com outros autores.

Epitetado de “Cientista-Guia, Professor entusiasmante e encantador ser humano” pelo Prof. Dr. Anton Lang, Diretor, em 1973, do Laboratório de Investigação de Plantas da Universidade de Michigan e da Comissão de Energia Atómica dos EUA, assim foi o Prof. Dr. Flávio F. P. Resende.

Este nobre exemplo a apontar às novas gerações foi o patrono escolhido e proposto para a nossa Escola, em 1989, pelo então Conselho Diretivo ao Ministério da Educação, tutelado pelo Dr. Roberto Carneiro. A proposta foi aprovada em 6 de junho de 1989 e publicada na I Série do Diário da República no dia 17 de junho de 1989, a partir de quando a Escola Secundária de Cinfães passou a chamar-se Escola Secundária Prof. Dr. Flávio F. P. Resende.

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